Além de agravar a crise na saúde, pandemia trouxe cenário de fome e desespero

O desemprego, que já era grande, aumentou com a pandemia

Em 2020 nos deparamos com uma situação inesperada: a pandemia, que trouxe uma enorme quantidade de mortes e desemprego. Isto resultou em um cenário de fome, obesidade, desnutrição, ansiedade, desabrigo e, para muitos, desespero.

Fomos obrigados a viver isolados em casa sem saber com exatidão o que estava acontecendo, sem previsão de quando a conjuntura melhoraria, até quando as empresas manteriam seus funcionários, se nossa família sobreviveria e, principalmente, quando sairia a vacina.

Em meio a tantas dúvidas, em um cenário que pode ser pior para uns do que para outros, milhares de mortes por dia e quase nenhuma resposta, existe ainda a dificuldade de acesso a comida. Alimentar-se deveria ser uma certeza diária.

De uma coisa temos certeza: sentimos fome e a única coisa que a alivia é comer, obviamente. Durante o isolamento, nos deparamos com duas situações divergentes. Estudos demonstraram que a quantidade de clientes consumindo fast-food por aplicativos aumentou como nunca. Quem teve condição de arcar com o custo de uma alimentação, saudável ou não, comeu mais do que o “normal” nesta pandemia, e a obesidade foi destacada por algumas pesquisas. A ansiedade também apareceu como uma das doenças que tiveram aumento significativo.

O famoso “VR”, vale-refeição ou vale-alimentação, recebido por trabalhadores de carteira assinada, foi o que permitiu a muitas famílias arcar com o custo de ter todos em casa por um período maior, e claro, comendo. Jovens que antes permaneciam durante a maior parte do dia nas instituições de ensino passaram a fazer todas as refeições em casa. Isto foi, para muitos, o início do desespero.

Vimos que em aspectos financeiros a pandemia foi destrutiva para muitas empresas e para o mundo em geral. O Brasil é um país absolutamente desigual e não deixou de sê-lo neste momento tão delicado. Muito pelo contrário, a pandemia só ajudou a aumentar essa condição. A alta do desemprego diminuiu a renda das famílias brasileiras, que passaram a contar com o auxílio emergencial, inicialmente cotado em R$ 600 —o que foi estritamente necessário, mas nunca garantiu o bem-estar da população mais vulnerável financeiramente.

Alguns estados se organizaram para distribuir alimentos na casa dos alunos de escolas públicas, visando manter a segurança alimentar deles e de suas famílias. O auxílio emergencial foi de grande ajuda, mas teve organização precária, como o cadastro em plataformas virtuais que desconsiderou famílias que não têm acesso à internet.

Algumas cartilhas foram publicadas pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e pelo Ministério da Saúde. As recomendações contidas nos documentos esclarecem que uma boa alimentação e uma saúde estável, sem muitas alterações e sem doenças pré-existentes, poderiam ser fatores decisivos para a evolução leve da Covid-19. Além disso, obesidade e doenças respiratórias poderiam ser agravantes.

O vírus não escolhe se vai infectar pobre ou rico, mas é um consenso que, para quem possui meios de se prevenir o máximo que puder, trabalhando em home office, se alimentando bem, fazendo terapia, se consultando com seus médicos online e contando com os serviços de seus empregados para ir ao mercado e desinfetar suas compras, é muito mais fácil escapar.

Transcrito da Folha. Por Giovana Dias

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