Com quase duas décadas de experiência no jornalismo paraibano, Marcos Wéric é referência no jornalismo digital e também no rádio e na TV. Toda essa bagagem cacifou o profissional a disputar as próximas eleições para a presidência da Associação Paraibana de Imprensa (API). Em entrevista ao Moçada Que Agita, Wéric falou sobre seus planos para uma das entidades mais importantes da sociedade civil em nosso Estado. Também comentou a respeito dos ataques sofridos por profissionais de imprensa e defendeu que jornalistas que estão cobertura da pandemia do coronavírus deveriam ser incluídos em grupos prioritários da imunização contra o Covid-19. Abaixo, a entrevista com Marcos Wéric:
O que pretende fazer para que os profissionais da imprensa voltem a prestigiar a API? Fale sobre suas propostas de campanha para assumir a presidência da API…
As entidades representativas de classe como um todo, quer seja sindical ou associativa, perderam muita representatividade nos últimos anos. Por vários motivos, alguns deles em comuns a todas elas. Outros particulares, peculiares de cada uma. Enfim, é um fenômeno que não atingiu apenas a API. O que vamos é aproveitar o nome e a história que a API tem e fazer com que ela passe por essa fase de transformação, intensificando a adesão das novas mídias, implementando o clube de benefícios, mantendo a tradição de incentivo à cultura, publicação de obras culturais. Vamos manter acesa a chama da API, que sempre teve participação marcante nos principais fatos política os e da sociedade paraibana.
Como você vê a série de ataques contra profissionais de imprensa, que foram potencializados nos últimos anos (inclusive por conta ofensas do presidente Jair Bolsonaro contra jornalistas)?
É inconcebível os ataques que se tornaram cada vez mais frequentes nos últimos meses e anos aos profissionais de imprensa. E quando parte da autoridade máxima do País isso é mais repugnante ainda. A ABI tem se posicionado fortemente contra isso e tem o aval da API. Aqui no Estado da Paraíba não vamos tolerar nenhum ato que vá de encontro ou que tente inibir ou coibir a atuação dos profissionais de imprensa. Vamos atuar de forma intransigente na defesa da liberdade de expressão, dos direitos humanos e da democracia.
Jornalistas na cobertura dessa pandemia se expõem bastante à contaminação. Você acha que profissionais da imprensa deveriam ser grupo prioritário nessa campanha de vacinação?
Sim. Acredito que os profissionais de i pensa deveriam ter entrado nos grupos prioritários de vacinação. Infelizmente, isso tinha de ter tido uma visão nacional mais profunda e uma cobrança dos parlamentares de todos os estados, do governo e do ministério da saúde para que os profissionais de imprensa fossem incluídos nos grupos prioritários. Porque durante todo o tempo, a imprensa nunca parou nenhum momento. Os profissionais de imprensa são linha de frente na cobertura, tendo contato com muita gente, inclusive na cobertura nos hospitais. Enfim, era para os profissionais de imprensa terem sido lembrados no plano nacional de imunização. Infelizmente, isso não houve. Não houve mobilização nacional nesse sentido. E infelizmente perdemos muitos colegas nessa pandemia. Fica o aprendizado para que se a gente conviver novamente com situação semelhante os profissionais de imprensa sejam lembrados pelo trabalho que é feito de forma exemplar.
Fale um pouco sobre seu trabalho como jornalista. Que ações você tem desenvolvido nos últimos anos, entre o jornalismo impresso e assessoria de imprensa, passando ainda pela TV e pela Internet…?
Comecei a atuação no jornalismo paraibano há 17 anos atrás como estagiário do portal WSCOM. Lá mesmo, fui ascendendo na carreira. Fui repórter, editor-adjunto, editor-geral. E como editor-geral fui responsável pelo planejamento de coberturas que ficaram marcadas na história do jornalismo online da Paraíba. O WSCOM foi o primeiro portal de notícias da Paraíba. E mantendo esse pioneirismo foi um dos primeiros a fazer uma cobertura de eleição com áudio e vídeo. Hoje em dia, é comum os portais terem TV. Naquela época não era. A gente montou uma estrutura e em uma das eleições tivemos link ao vivo do TER. Atuamos como uma TV mesmo já naquela época. Há 10 ou 11 anos atrás! Também tive passagens pelas rádios Sanhauá e Arapuan (dividindo a bancada com Antônio Malvino e João Costa). Tive experiência na TV Câmara de João Pessoa, onde apresentei um programa. Também na TV Master, onde planejei o programa Café com Notícia desde o nascedouro. Planejei o conteúdo, os quadros, logomarca, nome… Fiz o projeto desde o início. E no jornalismo online tenho um blog de opinião desde 2014, trazendo uma análise dos fatos, principalmente os fatos políticos e negócios. Sempre com uma visão muito respeito. Com críticas fortes em determinados assuntos, mas mantendo a ética e o respeito. Também fui editor de Política do jornal A União, o que me honrou bastante. Costumo dizer que já sou dessa geração do jornalismo online e fiz o caminho inverso de muitos colegas, que já estão no batente há muitos anos e começaram no impresso e migraram para o digital. Eu comecei no digital e tive essa passagem pelo impresso, que muito me honra e me orgulha me deu muito aprendizado.
Carta proposta para a API
– Protagonismo da defesa das prerrogativas dos profissionais de imprensa e da liberdade de expressão
– Fortalecimento das redes sociais da entidade.
– Realização de webnários, cursos de qualificação em diversas áreas
– Formalização de parceria com o Sebrae para formação empreendedora dos associados
– Transformar a API em um coworking (escritório virtual) para incluir profissionais de imprensa e até mesmo outros profissionais
– Estabelecer uma relação mais próxima com as universidades inserindo os profissionais recém-formados no convívio com a API, gerando rede de contatos e auxiliando na entrada no mercado de trabalho (Banco de Estágios)
– Criar uma agência de checagem (Combate a Fake News)
– Criação do Museu Paraibano da Imprensa
– Criação e implantação de Clube de benefícios através de uma rede de convênios
– Viabilizar financiamento de equipamentos eletrônicos inerentes ao trabalho do jornalista/associado (exemplo: computadores)
– Viabilizar financiamento para aquisição da imóveis (casa própria)
– Lutar para aquisição de uma sede social
– Buscar firmar parceria com os governos para garantir vagas nas creches para os filhos dos associados