O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou o tombamento definitivo da casa onde nasceu o escritor modernista José Lins do Rêgo, em Pilar, na região da zona da Mata paraibana. A decisão para tombar os ambientes do Engenho Corredor foi tomada durante a 110ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural.
O tombamento do conjunto arquitetônico e paisagístico do Engenho Corredor abrange:
Casa grande, residência e sede da propriedade, hoje recuperada e restaurada;
Remanescentes e escombros da casa de engenho, hoje em ruínas, com vestígios do antigo sistema de produção de açúcar, que envolvia moagem, cozimento e depuração;
Casa de purgar, local de secagem e embranquecimento do açúcar, construída posteriormente ao primeiro núcleo de ocupação;
Antiga senzala, recentemente restaurada;
Todo o restante da área do conjunto contida na poligonal de tombamento proposta no parecer técnico do arquiteto Gustavo Peixoto, conselheiro relator do processo.
Eternizado na obra “Menino de Engenho”, o local abrigou as primeiras memórias de infância de José Lins do Rêgo, que viveu na propriedade até oito anos de idade.
“Se por um lado é verdadeiro que o Engenho Corredor abrigou, criou e deu à luz José Lins do Rego, também procede dizer que José Lins do Rego criou para o Mundo o engenho Corredor, o mundo do açúcar paraibano, e é a ele que devemos o prestígio nacional deste último remanescente que o Iphan trata hoje de tombar”, ressaltou o relator Gustavo Peixoto em parecer.
Educação patrimonial
Atualmente o Engenho Corredor é aberto à visitação, mediante agendamento. A casa contém móveis de época, utensílios e fotos do fundador, o avô do escritor, e da família. De acordo com o Iphan, as edificações que já estão restauradas do Engenho Corredor se prestam amplamente à função de educação patrimonial, o antigo engenho em ruínas não deve ser ignorado.
Para a coordenadora geral de Identificação e Reconhecimento do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização do Iphan, Vanessa Pereira, a ideia “não é que o tombamento congele o imóvel como uma ruína, mas que possa compor o conjunto de forma educativa para o futuro”.