Para médicos, lockdown de fim de semana ajuda, mas é pouco para frear covid

Cena de hospital lotado de pacientes com a Covid-19

No momento mais crítico da pandemia de covid-19 no Brasil, hospitais de diversos estados e capitais estão lotados de pacientes, enquanto as taxas de transmissão da doença não param de subir. Para frear a disseminação, governadores, como o de Santa Catarina, decretaram lockdown aos fins de semana. Mas, na opinião dos infectologistas ouvidos pelo UOL, a medida ajuda pouco. O caminho, dizem os médicos, é que as ações restritivas durem mais tempo. … –

Os especialistas afirmam que dois dias de reclusão total da população não são suficientes para conter o colapso no sistema de saúde. O que acontece na Bahia é considerado um bom exemplo dessa situação. O governador Rui Costa (PT) decretou lockdown no final de semana, mas, diante dos dados ainda alarmantes, decidiu estender a medida por mais dois dias.

A pesquisadora Ana Maria de Brito, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) de Pernambuco, afirma que as aglomerações de fim de ano e Carnaval contribuíram para uma situação da pandemia em que não resta alternativa a não ser interromper totalmente a mobilidade do país. “Precisamos de um lockdown. O Brasil precisa parar de ter mobilidade da população. Dois fenômenos se sobrepõem: uma sucessão de aglomerações marcadas por eleições municipais no mês de novembro, seguido de festas de final de ano e Carnaval. Aliado a isso, um retorno às aulas presenciais. Nós temos essas condições favoráveis à proliferação do vírus e, paralelamente, à circulação de uma nova variante, a P.1”, disse.

Estudos já apontam que a P.1, conhecida como variante brasileira, que surgiu em Manaus, é duas vezes mais transmissível e aumenta em 10 vezes a carga viral no corpo.

Já o diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, é mais cauteloso. Ele diz que a pandemia se manifesta de diferentes formas em cada estado, e que cabe à chefia local analisar os dados e traças as estratégias. “Não existe receita de bolo pronta. É difícil saber se as medidas são úteis precipitadamente. Há quem defenda uma universalização no país. Acho que não é o momento. Temos pandemia em diferentes momentos. O que acontece em Manaus não é o mesmo que o Rio Grande do Sul, nem em São Paulo”, disse.

Transcrito do UOL

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